Tuesday, June 19, 2007

mudar mudar : a vida a cidade

Voltando ao serão previno que ao escaldado gato serão em família é conversa de desconfiar sobretudo se patrocinado por instituição corporativa [ainda que os tempos tenham mudado, nunca se sabe…]. Serão para trabalhadores que se querem a fazer cidades serões sempre serão.



Reparo que o meu exemplar valia o que valia à data e ainda vale hoje. Foi quase a partir dele que soube do NP que conheci mais tarde e melhor. Confesso a simpatia pelo seu modo de pensar a cidade [então como agora?] que chegaria com a democracia para a cidade que havia de patrocinar. Lembro-me [e já lho referi que se havia esquecido] duma inesquecível sessão no escritório onde eu então trabalhava, na companhia de Arménio Losa e Jacinto Rodrigues, com o Anatole Kopp. [75? Talvez]

Um par de horas mais tarde quando N.Portas se abriu para fechar o ciclo referiu companheiros de A. Kopp [Paul Chemetov, Henri Lefebvre] para situar a sua arquitectura d'a cidade como arquitectura. Nesses tempos tínhamos que acompanhar os dotes que de há muito se haviam querido para prendar: tocar piano e falar francês. De facto a referência a Espaces et Sociétés não demoraria, assim como à sociologia, à antroplogia e outras transversalidades que ao então exigiu o modo.



Monday, June 18, 2007

serão em Serralves


A propósito d’a cidade
como arquitectura e do livro homónimo de Nuno Portas publicado em 1969 [livros Horizonte] que se explicitava como apontamentos de método e crítica fui a Serralves passar o serão deste domingo.

Gente de quase todas as gerações e muita, muita gente muito nova a encher o auditório. Contudo. Diz-me a
intuição [que seja o que quer que seja, já foi tudo quase ou nada a cada ocasião] que teria sido um daqueles momentos [eventos] a pedir registo e estratégica estatística. Vem isto a propósito do fluir das gerações. Como já referi, e o convite, cartaz e programa certificavam, propunha-se a observação da análise que 38 anos passados, 4 gerações fazem d’a arquitectura da cidade, enquadrando a nova e fac-similada edição com posfácio do autor e de actualizada data.

Dados os ingredientes principais passo, passo-a-passo, a considerações várias e degustação final.







Sunday, June 17, 2007

nota dominical




Antes do ofício a nota propriamente dita, e referida aos escritos devidos ao dia de ontem, sábado. Pelas duas da madrugada, cerca de 12 já passadas e depois da festarola que mais adiante referirei, escrevi:[…] O meu post de hoje, sábado, só sai amanhã […]. Fi-lo, entre comentários, em post alheio, é certo, mas ficou dito e antecipado o aviso ao que só hoje se cumpriu.

Que há incongruências no modo, há. Mas não vão ser precisos nem o PM [Professor Marcelo] nem o SS [Saldanha Sanches] nem o BC [Barra da Costa] para as denunciarem. Reparem: às duas da madrugada de domingo, hoje, escrevia eu que o post de hoje, sábado…tal e tal amanhã, ou seja hoje, logo não segunda-feira 18… e por aí fora. Conquanto não tenham estas, mais que inconsistências, contradições, efeito imediato no governo da nação, não deixarei de referir e justificar, ainda que sem a detalhada e exaustiva análise a que os mediáticos almocreves nos habituaram, as motivações de tão desconjuntadas referências. No já supradito e madrugador comentário às perguntas que algumas vedetas [catódicas c’um raio!] Lhe colocariam acabei por dar a pista: a prévia cava, os queijos, os patês, o tinto do Douro… enfim a tal festarola que já adivinharam. Saímos assim da nota prévia e passamos à dominical. Que não é outra senão a que substitui a crónica de parte do dia de ontem, sábado, não coberto pelo escriba independente.

Se tiveram oportunidade de passar os olhos, ainda que na diagonal, pelos escritos referidos terão retido que eram, essencial, real e metaforicamente depressivos: o tempo, a tal molha-tolos, a perífrase e a apóstrofe. [Não esquecer a cidade] Mas isto foi só até à hora do jantar. Estava por essa altura o draft do escriba praticamente mas não completamente definido [faltava por exemplo escolher uma fotografia entre as poucas e fracas que tinha da manhã]. Por isso ficou em banho-maria até se ter decido escolher uma dessas pobres imagens e acrescentar uma folha antiga, de desenhos ensaiados, que a associação de ideias tinha entretanto trazido à colação.

Qui pro quo apontado passemos então a um breve registo das últimas quatro horas do até então deprimido sábado e das primeiras do que hoje se constata ter vindo a ser um mais ou menos ensolarado domingo.

Breve então. Decidi reunir um pequeno grupo [de seis] em que todos conheciam todos individualmente, com uma excepção apenas ao pleno. Mas que nunca se tinham encontrado todos com todos, num momento. Sincronicamente. Acrescia o facto de que só os promitentes sicronizadores [2] sabiam antecipadamente do síncrono repasto. Foi assim uma espécie de blind-date, a surpresa, quem obrigou ao estouro da primeira cava cordon negro e ao tilintar dos brindes.

Depois continuamos a trocar e alinhar os cromos das memórias comuns, incomuns e outras, para preencher uma caderneta única. No fim combinamos que continuaríamos a perseguir o bacalhau e o carneiro [os carimbados] até à vitória final. Quem sabe se não vamos à lojinha buscar a desejada bola de couro? E jogar, antes que seja tarde demais.


Saturday, June 16, 2007

o escriba independente




Acaba de se sentar e tenciona começar a escrever. Ainda não sei como o irá fazer. [lembre-se que ainda não escreveu nada!] Cada um tem os seus modos particulares. Digamos que escolherá entre três hipóteses, comuns. Tem um título, tem um tema ou não tem nada e vai atacar a folha de papel e depois se verá. Suponhamos por um momento [para facilitar o andamento] que título e tema são entre si relacionados. Decidiu escrever sobre o tempo [essa chuva miudinha que cai lá fora, molha-tolos como também se diz aqui no burgo]. Vai pois escrever muito pouco ou nada sobre o tempo [no fim se verá] e tem já esse mesmo tempo por tema ou título. Decida-se. Vamos colocar as possibilidades. Comecemos com o tempo como título. É demasiado vago, meteu-se numa carga de trabalhos. Tempo. Sendo coisa pouca [cinco letrinhas apenas] pode ser um mar de coisas. Pense. O Tempo. Um Tempo. Ainda não chega [afinal não sei exactamente no que está a pensar] Mude a estratégia, afinal o tempo é ou pode ser um tema. Depois quando tudo estiver acabado pode escolher um título a condizer. Decidiu-se. Vai pois escrever sobre o tempo. [alto aí, esse não era precisamente o título que havia rejeitado umas linhas atrás?] Olha para mim e abana com a cabeça? Já percebi: esse sobre é para que eu saiba que esse é o tema e não o título. Digamos então que se sente capaz de discorrer sobre o tempo enquanto tema embora não se sentisse capaz de discorrer do tempo enquanto título de igual modo. Acontece. De facto o título tempo nada mais era que a versão compacta de tudo o que vai discorrer sobre o tempo. O olhar diz tudo. Vamos ter que limitar o tema e acrescentar o título, é o que eu lhe digo. Vá lá, 1…2…3 …experiência. O tempo na cidade. Afinal é o título ou o tema? Olhe que para tema desenvolvido é curto e para título… Vamos por partes. O que pensa escrever sobre o tempo na cidade para além disso mesmo, o tempo na cidade? Essa chuva miudinha que cai lá fora pode ser um bom começo para desenvolver o tema do tempo na cidade. Continue. [sempre quero ver que título vai dar a esta coisa] Esta chuva miudinha que cai lá fora, molha-tolos como dizem aqui no burgo…Alto, alto! Queira reparar que se limita a transcrever uma frase que já foi apresentada no início desta crónica. Limitou-se a por esta onde antes era essa e ao reflexivo se impor um indicativo e colectivo presente. Vá lá é pouco… “Esta chuva miudinha que cai lá fora, molha-tolos como dizem aqui no burgo”, disse o motorista do táxi, acrescentou. Finalmente. Continue. [de repente percebo que está a tentar descrever alguma coisa que vale pelo titulo, ou tema]. A pausa protege o impasse. Sim? e… é um perigo. Ainda agora vim de Pedras Rubras. Fui levar um clente. Era um emigrante. Finalmente arrancou. Ia desolado com a cidade, e vi um tipo a despistar-se. Reparo como ao escrever substituiu Porto [ou cidade] por burgoAssim não se pode trabalhar. Vejo que continua, indiferente à observação [afinal era uma observação sobre uma observação do inicio desta crónica, relativizo] Ele está a dar cabo disto, é buracos por todo o lado. Viu o S. João na avenida? É uma vergonha! Apercebo-me que se decidiu por uma contar um episódio do dia, deste sábado, pela madrugada ainda. Lá para baixo não se importou de gastar, por causa da corrida dos calhambeques! Tenho que lhe pedir que pare, pois vejo que a escrita está a tomar um curso não previsto. Lembra-se que tínhamos como sugestão um título e, ou um tema, que andaria à volta do tempo? Do tempo no Porto nesta manhã de sábado, esta chuva miudinha [molha-tolos, como se disse] que não nos larga todo o dia. Agora repare como a escrita o puxou para outras escritas. Percebo que o motorista do táxi seja um crítico. Da política até. Mas repare que se pegar no dicionário ou numa enciclopédia até, e procurar tempo, mesmo restringindo ao tempo-clima [que é a sua escolha para um tema, ou titulo, para a escrita, como disse no início] vai lá encontrar tudo, ou quase tudo o que é preciso para falar ou escrever sobre o tempo. O que vale por dizer também sobre o tempo na cidade do Porto no sábado dia 16 de Junho de 2007, a uma precisa hora, etc. etc. Ora, tudo isto já foi publicado há muito tempo [este é outro tempo, devo acrescentar] logo…onde é que vai com toda essa escrita acerca do que pensa ou não pensa, diz ou não diz um motorista de táxi acerca do governo da cidade neste deprimente dia de molha-tolos? Vejo que hesita. Seja razoável, nada disso pode ser encontrado em qualquer enciclopédia, dicionário, ou obra de referência sobre o tempo, ainda que sobre o tempo no Porto. Olha por cima do ombro e estamos olhos nos olhos, a pensar [penso eu agora]. Vislumbro-lhe um intento. Era apenas… [as palavras arrancam, ditas] Era apenas o relato de um dia deprimente [pausa] de um tempo deprimente, de um sábado de madrugada, do táxi que apanhei para me livrar da chuva miudinha. Ainda em forçado jejum que… Não o posso deixar continuar. Tínhamos acertado que esta crónica seria sobre a sua decisão de escrever. Recordo como isto começou “Acaba de se sentar e tenciona começar a escrever”, depois um título, ou um tema, tempo, tempo. Afinal acaba por andar às voltas e sobre o tempo…só as memórias [suas] de um sábado de manhã, muito cedo, a caminho da baixa, de táxi, uma chuva miudinha, a conversa, molha-tolos, a cidade, deprimente…



[Vou acabar com isto e nem lhe digo o título que havia escolhido para esta crónica de sábado 16 de Junho de 2007… não vá a conversa azedar.]


Friday, June 15, 2007

o homem vai a todas

ou o Berardo foi-se à águia

Depois de Belém [o CC...], da assembleia dos banqueiros do milénio e outras artes [para além do anúncio televisivo] eis que num só dia [hoje, 15 de junho de 2007] o nosso Joe chega-nos em duas notícias frescas. Numa descobre-se quem apontou no campo de tiro de Alcochete, noutra quem quer atirar à águia da Luz [sad, very sad indeed...].

[há-de continuar durante o dia...]



Depois de ter perdido o dia a vaguear pela cidade à procura de uma águia foi a melhor que encontrei. Tenho que confessar que há mais duas, mas uma está próxima do dragão e para lhe tirar as legendas no photoshop tinha que fazer uma directa [e já não tenho idade para tal].A outra está na Rotunda na Boavista, mas a posição do leão, as susceptibilidades entre rivais e o patrocinado estudo de Al-Kuchet, em conjunção, pode ser mal interpretado em outras academias. Optei pela discrição.


Assim preambulado pela segunda vez aqui fica o que me resta no carnet virtual. E vai sumariado que o tempo voa. [voou…]


1. Compasso de espera: o homem a quem ck poderia ter confiado promoção da black T-shirt é sem dúvida o homem de quem se fala. Vamos esperar pelo horário nobre para ficar a saber se que veio para expulsar os Filipes.

2. Pensamentos libertados: noutros tempos [da Dona Maria] o estatuto do dínamo de Lx estava blindado [lembram-se do caso pantera-não-cor-de-rosa-mas-nacional?] e ninguém punha o pé em ramo verde [daltonismo clubista, é o que é].

3. Cozem-se hipóteses: Devolvida a pertinência da iniciativa à sociedade civil, materializada no estudo alternativo à Ota, eis a Opa [Óba!]. A expectativa pede desenvolvimentos.

4. Fala do homem de quem se fala: imperturbável [não mudou a t-shirt nem a halofonia], passou-se, de predador da bolsa a amiguinho dos “eleitos do coração”: que estão mais indefesos do que passarinhos à mercê da chumbaria de malvados. [disse]

5. Reflexão acrescentada: quanto a questões de fundo sempre gostaria de propor que estamos numa era de prodígios. Ao fim de [quase um século] vai finalmente a privatizar, ainda que ao mercado chegue a águia agarrada a golden-share doméstica e blindada. Escapou à revolução mas escapará ao mercado?

6. Conclusão: a marca que os portugueses estimariam mais do que a d’água desde que o papel selado se foi [esse pelo menos era azul celeste] vai ter agora que se medir com um homem de marca. Quem confia, quem desconfia, quem se abstém?

O tempo que se perde com a concorrência...



Thursday, June 14, 2007

releituras


Faz parte das leituras cíclicas. E destas sei que não existem. O prazer da releitura multiplicada vai-as eliminando na justa medida em que uma nova se cria. O que vale para dizer que as leituras nos vão acompanhando: sabemos que como nós são sempre as mesmas mas que [também como nós] são sempre outras. Mas é regra que não se cumpre no universo do escrito mas do eleito. Como é alegre [e doloroso] ver as que crescem connosco e as que não resistem às agruras do caminho [definham e morrem-nos nos braços do espanto].


Comprado na feira do livro de 69, um dos livros que mais vezes vai saltando da prateleira, fecha-se assim:

Tanta gente,
tantos enredos
até ficarmos para sempre

quedos!

Para sempre? Não!
Que outros (mínimos) seres
já trabalham na nossa remoção.

PEDRA-FINAL em





Sunday, June 10, 2007

da primária memória




Já foi da raça. Hoje está mais encolhido e as reportagens e comemorações televisionadas reclamam dó [não cedam!]. O vate com o olho que o ditado refere como condição de ser rei, chora abundantemente. As comunidades cantam e dançam, medalham-se os que podem e afinam-se os ouvidos [não vá o oráculo tecê-las]. Não há festa na aldeia como muitos gostariam que o povo exigisse. [Afinal feriado ao domingo não é coisa que se faça, ouvi dizer aos mais críticos, um dia destes merecia uma segunda ou mesmo uma terça]



A memória avivada a cada ano que passa não suplanta essa outra mais distante [e mais funda] que fabricou muitos de nós. Vista do “aqui e agora” parece quase ternurenta nesse jeitinho kitsch que as modas ajudam a [ciclicamente] banalizar.

Guimarães, Lisboa, Sagres [?] e o resto seria paisagem. Tirando Guimarães ainda hoje




Friday, June 8, 2007

a falar é que a gente se entende


Menos de 48 horas depois das minhas observações [públicas] sobre a nudez e aí está a resposta [testemunho] de Angelina Jolie.


Diz A. Jolie "É mais fácil falar quando estamos nus"
[08.06.2007|10h10 PÚBLICO]

Sendo irrecusável [nem sei como a rebater] a afirmação, além do mais ao enunciar a sua manifestação concreta propõe, na sua abstracção, um princípio. O que quer dizer que a possibilidade da sua multiplicação no espaço e no tempo deve tomar forma no mapa dos nossos desejos. Assim se construirá um mundo melhor.

Mas quem é AJ? [perguntam-se os mais distraídos]. Apenas porque nos move o desejo de informar devemos referenciá-la como colaboradora do Alto-comissário para os Refugiados [sim, esse, exactamente, A.G.], cargo que desempenhará, seguramente, com o empenho e desassombro que a caracterizam. Assim ao tu-cá-tu-lá com o Brad Pitt, ao corpo emprestado à Lara Croft, e a um sem número de bons motivos para ser objecto da nossa atenção, a filha do cowboy da meia noite junta o conselho que serve de pretexto à crónica e alimenta o título de que a falar é que a gente se entende.

Obrigado Angelina [Jolie] pelo teu veloz, impetuoso, e
público
, comments!




Wednesday, June 6, 2007

sobre a nudez


Não sei em que edição vamos, mas a cá de casa é a 4ª da Caminho [uma terra sem amos, como insiste a editora] de 1992. O original Crónica del Rey Pasmado foi publicado em 89. Há também o filme com o mesmo título que [tenho quase a certeza] vi antes de ler o livro. E que reservava a surpresa [?] de um jesuíta português desempenhado por Joaquim de Almeida. A pesquisa [de hoje] na net, do autor, e dos específicos livro e filme, revelou-se frustrante: pouco ou nada de ambos, uma ficha no IMDb, e já está. Nada de entrevistas, recensões, imagens, e muito menos uns minutinhos da excelência de Gonzalo Torrente Ballester no youtube de todas as banalidades. Nem na Wikipedia, imagine-se!
Porque o merecimento é muito fica então aqui este rasto da sua luz.

Quanto ao filme deve haver por aí cópia [vhs?] não sei se legal ou … pois passou nas televisões [não me lembro qual, mas palpita-me a 2] e tenho a certeza que repeti a dose, mais do que uma vez de tempos a tempos [a versão de cinema-cinema no Carlos Alberto ou Lumiére, ainda].

Faltam quatro dias para que se extinga a feira do livro [e em recinto coberto espero que de vez!] mas ainda estão a tempo de o procurar [escolham hora de pouco movimento ou grande confusão se não querem ser vistos a rondar o caminho]. E divirtam-se.

Já agora, e a propósito da dita feira, vou vender pelo preço que comprei, a notícia [?] de que a próxima [no tempo 2008…] feira do livro do Porto se irá realizar na ribeira de Gaia [!]. Vale o que vale e ainda há caminho para andar até lá. E diga-se que a novidade foi a resposta inocente [de uma feirante em exercício] à minha crítica [lamúria...] pelo enclausuramento dos livros, fugidos da claridade de Maio-Junho, dos finais apaziguadores dos dias quentes, sob o arvoredo [!?], com aquela música estereotipada entrecortada pela voz monocórdica das promoções, dos autores, dos autógrafos, dos enciclopédicos dias disto e daquilo. Bom, isto já sou eu a efabular enquanto mantenho a saudade que a ausência de cidade espevita.

Não fiquem pasmados [como eu fiquei, confesso, que apesar de tudo…] porque o título pertence a quem queria ver a rainha nua, não o rei.






Tuesday, June 5, 2007

ambiências




Confesso que esta coisa
de que hoje é dia [oficial ou oficioso] me interessa muito [e] pouco. De facto reservo-lhe apenas um lugar muito residual na prateleira dos meus interesses, e apenas na categoria nichos de mercado nas suas variantes [ideológico-ideológico, ideológico-político e político-político]. Quanto ao nicho propriamente empresarial [com que os anteriores manifestamente se confundem] e ainda que lhe reconheça em muitos casos a hipocrisia, e a desfaçatez me aguce a critica e estabeleça a desconfiança, não causa tanto arrepio. As coisas são como são [e caberá à opção de cada um estimular-lhes a mudança].

Esmiuçando um pouco as razões da indiferença que voto ao dia [contrariamente ao que de mim exijo para todos os dias] salta logo à evidência a propaganda que afecta o discernimento. Argumento comum a diferentes serventias propõe um responsável por todos os malefícios e indica-se simultaneamente como a vítima de tão irresponsáveis comportamentos. Ficamos deste modo, pelo menos, como na história do Hyde e Jekill. Mas amiúde o conselho é mais paternalista e uns são
Doctor Jekill outros Mister Hyde. Nós e ou outros. E acrescenta-se a este traço da realidade uma matriz para rematar o julgamento: o Homem [escolham maiúscula ou minúscula, a gosto de cada um], só pode ser, é O responsável. O que equivale a dizer que o modo como este altera o Mundo conduz à sua extinção. O que esconde [sob o modo] uma critica demolidora da tecnologia [da ciência enquanto tal e da sua aplicação ou aplicabilidade, implicitamente]. Daí o apelo a um regresso [a um impossível regresso não posso deixar de deixar, desde já, expresso].

Não me quero meter em disputas pós-modernas mas apenas reclamar o direito a tornar razoável uma certa indiferença. Afinal se o mundo fosse melhor sem o Homem não estaria aqui a usar este mesmo direito. Seria o absurdo no seu melhor. Somos sobreviventes porque nos tornamos tecnologicamente viáveis. E levamos esta matriz tão longe quanto nos for possível [é a nossa condição].

Por isto e muito mais que fica sempre à volta, sem expressão, mas impressivamente, prefiro a história na forma de Vatanen e da sua espiral de revolta a partir da publicidade a um spray purificador do ambiente, ou na versão emotiva, ensaiada por John Doerr [o assumido agente do capital de risco que aposta nas tecnologias ainda impossíveis].

A alternativa, ainda que instituída e repetida com cerimonial, ou gritada da margem que se quer instituir soa-me sempre a mais do mesmo. Decoração para um ambiente poluído. Este.


Monday, June 4, 2007

jäniksen vuosi



Risto Jarva realizou-o em 1977 sobre o best-seller de Arto Paasilinnan. Estou a escrever sobre um filme [como logo perceberam] e sei que já por cá andou, provavelmente legendado. Ontem vi-o no sossego de casa e em boa e conveniente companhia. Sem legendas.
Nada desta conversa será relevante [dirão] e assim ficaria não fosse o tema [reflectido a várias conversas que por aqui vão passando] e a circunstância.

O tema é da actualidade ainda que a marca dos 70's para os 80's se inscrevam no visual [os objectos, o vestuário, o design, a arquitectura, os modos, os ditos e os pensados] de um cinema que se representa no tempo que representa: um filme que revolve os dias em que ele próprio se constrói. Está dito [dirão: acabas de o afirmar] que o ano da lebre, pois é este o seu título em tradução literal, é uma obra datada. Poder-se-á vê-lo assim, mas não foi assim que o vi. E tenho muitas razões para acentuar que foi assim visto, pois a trama do filme [do romance homónimo] estava seguramente escrita. E o que eu vi foi um filme não legendado, concebido e realizado a partir de uma obra literária que ainda não li [a propósito, jäniksen vuosi já tem tradução em algumas dezenas de línguas mas falta-lhe o português no currículo].
Tenho uma teoria sobre a virtude e o vício das traduções, legendagens e etc. mas não é para agora, fica para outro dia. Uma coisa é certa: na ausência destas opções faz-se mais obrigatória e fundamental a imagem [e de fotografia parece que
Risto Jarva tinha créditos]. E a história foi assim feita de fotogramas sobre as palavras [duplamente] imaginadas.
Transformada a palavra escrita fica o filme que ontem vi, sem mais.

outra forma de chegar à trama que se vê ...

Sunday, June 3, 2007

a geografia da fé


Domingo
é dia de reflexão [tendo descansado ao último dia é bom que se comece a semana a reflectir]. Ou seja, a espelhar as nossas cogitações acerca do passado e do porvir [essa parte da nossa existência que ainda não sendo poderá vir a ser caso a nossa acção siga com ponderação, e o meditar não estorve o futuro].

Para que meditemos veja-se então, abaixo e anexo, um exercício apropriado ao domingo que corre, pois tem como título História da Religião e como subtítulo a Geografia da Fé e das suas Guerras através da História.

Sem mais, fica ainda o local maps of war como destino para excursões dos mais interessados.






Friday, June 1, 2007